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Cáritas avalia situação da Economia Solidária no Brasil

12 de julho de 2016

Agentes Cáritas e empreendimentos de Economia Solidária estiveram reunidos em atividades preliminares à 23ª Feicoop e à 12ª Feira Latino-Americana de Economia Solidária, em Santa Maria/RS. Os encontros da Cáritas Brasileira ocorreram nas últimas quinta e sexta-feiras, dias 7 e 8 de julho, como preparação para a participação da entidade nas feiras, iniciadas no dia 8.

As atividades da Cáritas contaram com diversos momentos de avaliação durante os dois dias, e tiveram como objetivo avaliar a situação da Economia Solidária no Brasil, em especial os projetos acompanhados pela Cáritas Brasileira. O encontro em Santa Maria se torna estratégico, tendo em vista a tradição da cidade na realização da Feicoop e da Feira de EcoSol.

Para Luiz Cláudio Mandela, diretor-executivo da Cáritas Brasileira, é muito simbólico que o encontro aconteça na cidade. “Estamos na meca da Economia Solidária”, disse ele. Mandela também lembrou dos momentos políticos ruins pelos quais passa o país: “Nós fizemos críticas duras nessa feira”, referindo-se aos momentos de participação dos empreendimentos no evento, como a Assembleia Popular de Economia Solidária.

“Queremos mostrar que o povo se organiza para a autogestão”, disse Irmã Lourdes (foto abaixo), ao falar das perspectivas para a feira desse ano, que quase não aconteceu devido à retirada de importantes apoios financeiros. Mas, por onde se anda nas feiras, as pessoas agradecem à irmã pelo grande empenho despreendido para a realização do evento. “Temos que saber do nosso potencial, não podemos baixar a cabeça”, explicou ela, ao revelar estar preparando para 2018 um levantamento sobre empreendimentos de Economia Solidária feito pelos próprios empreendimentos.

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Protagonismo Político da Economia Solidária

Um dos pontos recorrentes nas avaliações preliminares às feiras foi a falta de atuação política por parte dos empreendimentos. Os diversos grupos de debate foram unânimes em apontar a despolitização de diversos segmentos, muitas vezes demasiadamente focados em suas situações econômicas.

Claudio Nascimento, da Escola Sindical da CUT Sul, explicou que essa lógica não ajuda a romper antigos paradigmas sociais. “A preocupação apenas com o lucro é característico do capitalismo: se estamos reproduzindo isso, está errado”, afirmou o professor. Ele defende que os movimentos devem aumentar as integrações entre si, fortalecendo-se não só economicamente, mas também politicamente.

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Ausência da Juventude EcoSol

Outro fator que explicaria o alto grau de conservadorismo dos movimentos seria a ausência de jovens nos empreendimentos de Economia Solidária. “Onde está a juventude?”, questionou Elenice dos Reis, do Instituto Federal de Cuiabá, Mato Grosso. Para ela, os movimentos falam muito em chamar jovens, mas não se esforçam para abrir espaços de atuação da juventude.

Alessandra Miranda, da coordenação colegiada da Cáritas Brasileira, tem a mesma opinião: “Nós estamos acostumados a questionar ‘porque os jovens não estão na Cáritas?’, mas acabamos por não questionar ‘porque a Cáritas não consegue chegar até eles?’ ”, disse Alessandra. Segundo ela, é preciso que os movimentos busquem essa juventude.

Walter dos Santos, da comunidade quilombola Pequi da Rampa, em Vagem Grande, Maranhão, lembrou que o êxodo rural também é um fator que enfraquece a EcoSol. “Os jovens não têm incentivo para permanecer no campo, e vão para a cidade”, destacou ele, lembrando que a Economia Solidária é mais forte no campo do que na cidade.

Por Jeronimo Calorio Pinto / Assessoria Nacional de Comunicação
Fotos: Jeronimo Calorio Pinto

 

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