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“Grito dos Excluídos” une grupos religiosos e entidades civis para denunciar injustiças sociais

10 de setembro de 2019

Em contraponto as comemorações oficiais da independência do Brasil, manifestação popular também comemora 40 anos da ocupação urbana que deu origem a Vila Santo Operário em Canoas.

No dia 7/9, milhares de pessoas em todo o Brasil saíram às ruas para gritar em defesa soberania, democracia, pelo combate ao desemprego e a volta da fome, por uma educação pública e de qualidade, contra a retirada de direitos conquistados, bem como denunciaram a ameaça de implantação da mineração predatória no estado do Rio Grande do Sul.

Com o tema “Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade”, o Grito dos Excluídos e Excluídas desse ano denunciou a violência e desrespeito aos direitos dos povos indígenas e quilombolas, o avanço dos agrotóxicos na produção de alimentos e a farsa e a ganância das mineradoras validadas pelo atual governo estadual, que em nome do lucro e interesses escusos, corre-se o risco de comprometer as reservas de água e a qualidade do ar na Região Metropolitana de Porto Alegre, dentre outras áreas do estado que também serão afetadas. Michele Ramos, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), alertou sobre os mais de 22 mil requerimentos de licenciamento ambiental no Estado, os 166 projetos que já estão em fase de autorizações de pesquisa e concessões. Citou os projetos de São José no Norte, (mineração de titânio); Lavras do Sul (mineração de fosfato), Caçapava do Sul (mineração de Chumbo) – e destacou que a 15 km de Porto Alegre, se encontra o projeto da Mina Guaíba, da Copelmi: “A população precisa conhecer o risco da implantação da mineração de carvão a céu aberto, próxima aos grandes centros urbanos, que significa comprometer o abastecimento público de água, além de prejudicar a qualidade do ar que respiramos”, destacou.

Michele Ramos do MAM alertou para os riscos da mineração predatória no RS

Em Canoas, na Vila Santo Operário, se somaram ao 25º Grito dos Excluídos comunidades indígenas Kaingang e Guarani de Porto Alegre, Viamão e São Leopoldo. Moradores de Rua de Gravataí, pequenos agricultores de Nova Santa Rita, trabalhadores de diferentes categorias, entidades do movimento sindical (dente elas, CUT-RS), Pastorais Sociais (Comunidades Eclesiais de Base – CEBS, Pastorais Carcerária, dos Surdos, Juventude), Cáritas Brasileira Regional Rio Grande do Sul, Centro de Estudos Bíblicos – CEBI, Conselho Regional dos Leigos da Igreja Católica, Igreja Anglicana, Batista e Luterana. O índio Kaigang Dorvalino Refej Cardoso, professor e doutorando na área de educação, liderança de sua aldeia, justifica o grito da sua etnia devido a exclusão de direitos a políticas públicas, pela manutenção dos seus territórios para sobrevivência: “Não somos colonos, somos um povo coletor, não precisamos fazer grandes produções, e precisamos de espaço para cultivar nossa cultura, nosso bem-viver, nossa linguagem e aprendizagem pela natureza”, enfatizou.

Dorvalino gritou contra a exclusão de direitos dos povos indígenas

A escolha da Vila Santo Operário por ocasião do 25º Grito dos Excluídos se deve a comemoração de 40 anos da ocupação que deu origem ao local. O ato iniciou na Rua Negrinho Santo, local que se refere a lenda do Negrinho do Pastoreio, que simboliza a luta do Povo Negro por liberdade e por direitos iguais. E também símbolo do início da ocupação. A caminhada percorreu algumas ruas da comunidade, cujos nomes faziam referência aos diversos gritos entoados, a exemplo da Rua dos Professores e rua Sepé Tiaraju. O ponto de partida da manifestação popular começou com uma esquete teatral, realizada por integrantes do Movimento de Trabalhadores por Direitos – MTD, representando as dificuldades dos trabalhadores na luta por trabalho e moradia. Durante o trajeto, lideranças representativas dos diferentes segmentos sociais fizeram uso da palavra trazendo a realidade da população e as diferentes faces da exclusão. A conclusão do ato ocorreu no Centro das Comunidades do Bairro Harmonia, onde ocorreu uma manifestação ecumênica e expressão cultural de dança dos indígenas. Além da Cáritas Regional Rio Grande do Sul, outras Cáritas Arqui/diocesanas marcaram presença em várias cidades no estado, a exemplo de Pelotas e Caxias do Sul.

Esquete teatral representou a luta dos trabalhadores por direito à moradia

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