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Na 24ª Assembleia da Cáritas Brasileira, bispos e pastora abordam o contexto atual e apontam caminhos para a prática da missão cristã

22 de novembro de 2019

Painel sobre as Diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil e os desafios da atual conjuntura

Por Comunicadores da Cáritas Brasileira

O painel da tarde desta quarta-feira (20), durante a 24ª Assembleia Nacional da Cáritas Brasileira, foi dedicado à reflexão das “Diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil e os desafios da atual conjuntura”.  Nele, foram trazidas reflexões sobre o documento 109 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a relação com a missão da Cáritas Brasileira junto às populações em situação de vulnerabilidade e exclusão social.

O bispo da Diocese de Itapeva (SP), Dom Arnaldo Carvalheiro, trouxe, ao falar das diretrizes da Igreja do Brasil para a evangelização, o grande desafio de cumprir a missão da Igreja de ir ao encontro das pessoas em um Brasil cada vez mais urbano, lugar onde estão aqueles que sofrem com a pobreza, com as desigualdades sociais e que a Cáritas já está inserida e que é cada vez mais chamada a dar respostas, como parte do corpo eclesial.

Dom Arnaldo ainda indicou que, nesse contexto, a presença de Deus não precisa ser criada, mas descoberta, desvendada no processo de profunda conversão de uma pastoral de conservação por uma pastoral arrojada de saída, de encontro, como indica o Papa. “Não temos um discernimento muito claro em torno de estratégias, e quando vivemos esses momentos de crises, é muito importante que observemos os homens e mulheres da Bíblia. Assim como, no deserto do Antigo Testamento, onde um poço sempre é procurado pelo povo que caminha, a Igreja precisa ser esse oásis de misericórdia para quem sofre no deserto do meio urbano. A Igreja tem uma água a oferecer, pode ajudar nosso povo a matar a sede”, destacou.

Na perspectiva de analisar a conjuntura atual, o bispo da diocese de Floriano (PI), Dom Edivalter Andrade, recorreu ao texto “Papa Francisco na mira da direita”, escrito pelo professor doutor José Décio Passos. Segundo o prelado, pelas atuações na Igreja e no âmbito acadêmico, o autor tem sido uma referência nessa observação das realidades eclesial e da sociedade. “Em todo encontro que nós vamos nesses últimos tempos, saímos um pouco frustrados com a análise de conjuntura, porque quem é chamado, não arrisca falar certas coisas, muito menos eu”, salientou.

O texto, trazido à plenária, foi publicado em junho deste ano, mas mostra de forma atual a situação do Papa Francisco que, ao se posicionar e fazer gestos, é visto como ameaça política para conservadores, milionários, tradicionalistas, ritualistas, fundamentalistas, etc. Nesse sentido, diante da contestação de alguns setores da Igreja às reformas da Cúria Romana, da manipulação e desconstrução dos discursos pela imprensa e por grupos de interesses contrários às manifestações do Papa, uma das provocações deixadas por Dom Edivalter foi a posição assumida por cada um e cada uma da plenária em apoio e defesa a Francisco e às iniciativas promovidas por ele.

Ressaltando a importância da diversidade, da equidade de gênero e do diálogo ecumênico inter-religioso, a secretária Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Pastora Romi Benke, disse, durante sua participação, que Deus se manifesta de diferentes formas e onde o povo estiver organizado. Para ela, na lei do capitalismo, há vidas que podem ser suprimidas em detrimento de outras pelo fato de serem diferentes. Isso não é compatível com o cristianismo, mas tem constituído tradições de fé espetacularizadas que disseminam a ideia de que ser cristão significa eliminar o que não é.

“Nossa tradição de fé está no amor. Eu tenho certeza que se Jesus voltasse hoje estaria lá com os povos bolivianos e seria vitima de uma bala. Essa religião do espetáculo, que cega, que é pão e circo e se materializa no desmonte da educação, da cultura, que criminaliza a solidariedade e enaltece a violência não nos representa. Ver religiosos fazendo símbolos de arma é sinal de que não estão entendendo o papel da igreja no amor. Esses são os falsos profetas e profetisas”, finalizou a pastora.

 

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