English
Diminuir tamanho da fonteAumentar tamanho da fonte

Seminário reafirma direitos dos povos, comunidades tradicionais e migrantes

24 de outubro de 2018
Evento promove intercâmbio entre quilombolas, indígenas e migrantes na luta por direitos e uma sociedade mais justa e equalitária.

A Cáritas do Rio Grande do Sul promoveu, nos dias 20 e 21/10, o “Seminário Trajetórias das lutas de construção dos direitos indígenas, quilombolas, migrantes/refugiados e os desafios metodológicos da ação”. Realizado em Rio Grande, contou com a participação de lideranças de comunidades quilombolas, indígenas e migrantes das dioceses de Bagé, Rio Grande e Pelotas. O evento iniciou sua programação com um intercâmbio na “Aldeia Gyró” em Pelotas, no último sábado.  Participaram da atividade as comunidades quilombolas de Rincão da Faxina, Palmas, Brasa Moura e Nicanor da Luz; a comunidade indígena Aldeia Gyró; Migrantes Haitianos e Senegaleses; Pastoral Afro; Pastoral do Migrante; CIMI e agentes Cáritas de Pelotas, Rio Grande e Bagé, além do Secretariado Regional do Rio Grande do Sul da Cáritas Brasileira, coordenador do Encontro.

Ricardo Calixte falou em nome dos migrantes

Após uma rodada de apresentação dos participantes, Ricardo Calixte, haitiano residente em Rio Grande, falando em nome dos migrantes, disse não haver muita diferença entre a luta deles e a dos indígenas: “na minha terra tinha índios e hoje não tem mais, foram massacrados”, destacou.

Da mesma forma, Eva Pinheiro, falando sobre as comunidades quilombolas de Piratini relatou que a luta deles, como a dos indígenas, é muito dura: “é pelo reconhecimento à terra onde habitaram nossos antepassados e hoje nós vivemos e é contra o racismo que sofremos todos os dias”.

A história e lutas da comunidade indígena foi apresentada pelo Cacique Pedro Salvador que emocionou os participantes em sua fala: “em primeiro lugar, quero apresentar minha mãe pois sem ela eu não estaria aqui. Também quero chamar meu pai. Eles sempre me criaram dentro de nossa cultura, por isto aprendi a lutar”. A partir de então contou a história da comunidade indígena, as conquistas, as tristezas que carregam e as preocupações com o futuro.

“É terrível o que fizeram com os indígenas e os quilombolas, massacrados no Brasil”… “Esta terra Brasil é nossa e ainda hoje tem quem não quer ver a nossa cara, negam a nossa existência”… “fomos criados dentro das matas verdes, comendo frutas, peixes, usando as ervas, plantando roçado”… “meu pai só precisava disso aqui (uma lança) pra alimentar a gente com caça e hoje? Onde vou achar caça”… “As máquinas começaram a entrar e tiraram tudo que tínhamos e hoje o grande agricultor nos chama de vagabundo”…  “MINHA ALMA SENTE FALTA DISSO, MINHA ALMA CHORA!”.  O líder indígena finalizou dizendo “mesmo que eu tombe na luta pela terra a minha luta não vai acabar!”.  Suas palavras foram complementadas por seu filho, Marcos Salvador que explicou como funcionava o dia a dia na Aldeia. Após a “roda de conversa” a comunidade apresentou uma de suas danças, como forma de agradecimento à visita.

Cacique Pedro trouxe a reflexão sobre as injustiças que os indígenas sofrem.

As reflexões que se seguiram revelaram semelhanças de suas lutas, como a defesa do direito de ter um espaço para viver (terra/território), trabalhar e viver em paz. Também vieram a tona os muitos desafios coletivos destas comunidades: avançar na organização de cada grupo e somar esforços nas lutas comuns.

No domingo, segundo dia do encontro, foi o momento de aprofundar tudo o que foi  visto, ouvido e sentido no intercâmbio na Aldeia Gyró.  relacionando com os desafios da conjuntura sócio-econômica e política atual. O cenário eleitoral no país esteve presente nas reflexões.  Foram avaliados o discurso de um dos candidatos, a violência que ele estimula em sua campanha e as posturas ao longo de sua vida parlamentar, marcados pelo preconceito aos quilombolas, indígenas e migrantes, o que gera preocupação entre as lideranças. Do mesmo modo preocupa o apoio de uma parcela significativa da população, o que demonstra o quanto a sociedade brasileira precisa avançar na superação do preconceito e falta de informação.

Os participantes refletiram sobre o cenário político-eleitoral do país.

O cacique Pedro que também participou do seminário no domingo, afirmou ao final do encontro: “quero agradecer a todos que me resgataram lá do fundo para estar aqui conversando com vocês, para uma nova aliança”, declarou entusiasmado.

A atividade, que também será realizada em outras regiões do estado, conta com o apoio da “Comitê e Serviço para ajudas Caritativas,  em Favor de Países do Terceiro Mundo – CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA”.

Cáritas Notícias

Cadastre-se e receba por e-mail nossos informativos.

campanha-da-fraternidade-2018

campanha-da-fraternidade-2018

Contato

Cáritas Rio Grande do Sul
Rua Coronel André Belo, 452/3º andar
Cep: 90110-020 - Menino Deus


Porto Alegre/RS
(51) 3272.1700

caritasrs@caritasrs.org.br